quarta-feira, 4 de maio de 2016

#GAY#2 - A construção do homem

- Sente-se direito menino! - falou a mãe
E o menino que assistia a televisão, ficou sem saber o que fazer, ou o como deveria se portar, afinal, estava sozinho na sala, jogado no sofá, com a cara e os joelhos rente a almofada e bunda pra cima.
- Deixe o menino em paz. - logo exclamou o pai, repreendendo a esposa e reconfortando o menino. - Ele não está fazendo nada demais.
Talvez mais tarde aquele menino tenha aprendido que o certo é um garoto se sentar com a bunda pra baixo, preferencialmente sentado no cocix, com as pernas abertas em uma pose mais ‘macho’. Talvez ele tenha se tornado afeminado e muitos outros então falariam mais que sua mãe de inicio.


 Este trecho traduz o que Guacira afirma como “As muitas formas de fazer-se mulher e homem, às várias possibilidades de viver prazeres e desejos corporais são sempre sugeridas, anunciadas, promovidas socialmente”. Ou seja, as identidades de gênero são construídas socialmente e variam historicamente, de geração, raça, nacionalidade, religião, classe, etnia... isto explicaria em muito a diversidade dos indivíduos.
 O que não faz sentido é que “através de processos culturais, definimos o que é, ou não, natural; produzimos e transformamos a natureza e a biologia e, consequentemente, as tornamos históricas.” A própria biologia é sócio-histórica, muda através dos tempos e dos conhecimentos construídos. “Aparentemente se deduz uma identidade de gênero, sexual ou étnica de ‘marcas’ biológicas que pode ser, e muitas vezes é, equivocada”
 Assim como mostrado no trecho acima “A ‘produção do menino’ era um projeto amplo, integral, que se desdobrava em inúmeras situações e que tinha como alvo uma determinada forma de masculinidade”. “O homem ‘de verdade’ deveria ser ponderado, provavelmente contido na expressão de seus sentimentos. Consequentemente, podemos supor que a expressão de emoções e o arrebatamento seriam considerados, em contraponto, características femininas”.
“Para que se efetivem essas marcas, um investimento significativo é posto em ação: família, escola, mídia, igreja, lei participam dessa produção”, tentarei analisar mais sobre o papel da escola nesta tentativa de normalizar o comportamento sexual de crianças e adolescentes, pois, “A escola precisa, incentivar a sexualidade ‘normal’ e, de outro, simultaneamente, contê-la. Um homem ou uma mulher ‘de verdade’ deverão ser necessariamente, heterossexuais e serão estimulados para isso”

 Muitas vezes me pergunto o que então me define como homem cis? Quais os significados que estou atribuindo ao meu corpo nesta busca? Como sou designado pelos outros e a partir de quais referências estou sendo constantemente avaliado? Quantas vezes fui julgado por ter chorado em público? Quantas vezes mostrar meus sentimentos foi visto como algo esquisito? Por que ser chamado de bicha, gay, viado, já doeu tanto e hoje nem vejo mais este vocabulários como formas pejorativas de designação?



Esta foi uma tentativa de fazer uma micro e breve análise do primeiro texto intitulado: 'Pedagogias da sexualidade' de Guacira Lopes Louro do livro 'O corpo educado: pedagogias da sexualidade' de organização da própria autora.
 Os outros cinco textos são de Jeffrey Weeks, Deborah Britzman, bell hooks, Richard Parker e Judith Butler e serão resenhados em breve aqui também.

3 comentários:

  1. ja quero esse livro com toda urgência que meu corpo eh capaz de transmitir!! e bem... minha queridinha tambem eh autora, Judith Butler hahaha
    esperando as proximas analises!

    abraco imenso. e acredito que temos muito que conversar.

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    Respostas
    1. Vale muito a pena mesmo. Por mais que seja super teórico e em alguns pontos bem difícil o engoli em apenas uma semana. Aposto que fará o mesmo...
      Estou analisando o texto do Jeffrey Weeks agora mesmo, semana que vem eu posto... Nunca tinha lido alguma coisa original da Judith, achei o mais difícil entre os textos do livro, mas não tem como não sair apaixonado por ela e de quebra por Foucault também...
      Sobre conversar, vamos trocando ideia por aqui, FB, TT, sei lá e vamos marcar um 'encontro' porque sou melhor conversando do que escrevendo.
      Abraços.

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  2. Agradecendo e retribuindo o carinho da visita.
    Gostando muito de poder estar por aqui e viajar por suas emoções.
    Seguindo e "linkando" para não perder de vista o amigo.

    Beijo grande.

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Agradeço muito a sua participação! Abraços!

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