sábado, 28 de maio de 2016

A arte de ser normal

   Ufa, acho que agora eu vou conseguir voltar a normalidade de postar conteúdo no blog. Aproveito para publicar a resenha do último livro que li por prazer:

   Williamson, Lisa. A arte de ser normal.tradução de Cláudia Mello Belhassof. Rio de Janeiro: Rocco jovens leitores, 2015.

   
   Tudo começa com aquela velha atividade de começo de ano na escola, especificamente no segundo ano do Ensino Fundamental, na qual a professora pede para que todas as crianças escrevam o que se quer ser quando crescer. David Piper escreve sem cerimonias: “Quero ser uma menina” e daí pra frente se torna a ‘aberração’ no discurso de sua escola no bairro de classe alta em que vive.
   Ao que tudo indica, ninguém além da sua professora, omissa com a questão de identidade de gênero, sexualidade, etc., e os colegas de classe que usam este episódio para humilhar David durante seu percurso escolar. Sua família acredita que ele passa por um momento dificíl, seus dois melhores amigos sabem que ele é gay e ele está apaixonado por um tipinho comum retratado nos filmes colegiais.
   Há um momento na história que sentimos na pele, como é ser discriminado por assumirmos um desejo erótico diferente da maioria. Aquela velha cena do refeitório escolar americano, David se encontra na fila quando é humilhado publicamente pelos colegas de sua sala quando aparece, Leo Denton, o outro personagem marcante desta história. Claro que a culpa aqui foi da vítima que existia no lugar errado quando o opressor resolveu humilhar alguém.
   Leo é misterioso, recém chegado a escola, próvem de um bairro pobre e bem afastado da escola. Ninguém sabe sobre sua vida, seu histórico e ele mesmo faz questão de passar desapercebido. Afinal ele mesmo já enfrenta muitas questões na sua casa e na sua família completamente desestruturada. Sua maior busca é por seu pai que sumiu quando ainda era pequeno, enquanto lida com a precariedade da vida, os vários amantes de sua mãe, sua irmã gêmea e a caçula com muitos anos de diferença.
   O livro retrata um semestre escolar e nos oferece um panorama da lógica homofóbica das escolas, na tentativa de instaurar a heternormatividade. O amadurecimento de dois adolescentes que precisam sobreviver é fio condutor. O livro está repleto de primeiros amores, primeiro porre, viagem escondida, brigas familiares, pé na bunda, nerdices, muitas questões LGBTQ, bullying, segredos, amizade, etc.

   Fica aqui minha parabenização à Biblioteca Parque Villa Lobos que tem no acervo alguns exemplares com questões LGBTQ. Ainda vou mandar meus agradecimentos e congratulações por algum canal oficial.

2 comentários:

  1. Está em minha lista de desejados, gostei da resenha!

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    1. Indico muito, e o desenrolar da história é surpreendente.

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Agradeço muito a sua participação! Abraços!

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